Subsídio de Alimentação no Setor do Calçado: Uma Questão de Justiça!
A indústria do calçado, malas e afins é uma das mais emblemáticas de Portugal, impulsionada pelo talento e pela dedicação incansável dos seus trabalhadores. Contudo, por trás do brilho das exportações e do reconhecimento internacional, esconde-se uma realidade menos glamorosa: milhares de trabalhadores sobrevivem com o mínimo possível, sendo forçados a aceitar um subsídio de alimentação fixado, há anos, no vergonhoso valor de 2,50 euros por dia.
Esta quantia ridícula, negociada pela APICCAPS, contrasta drasticamente com o custo de vida atual e não permite sequer uma refeição digna. Apesar de algumas empresas praticarem valores superiores e pagarem acima do salário mínimo, muitas outras optam por seguir o mínimo permitido, perpetuando condições de trabalho precárias, onde o medo e a repressão são uma constante.
Diariamente, chegam ao SNPIC relatos de trabalhadores que, ao saírem de empregos precários, afirmam categoricamente que nunca mais querem voltar a trabalhar no setor. Descrições de jornadas extenuantes, pressões psicológicas, falta de condições de higiene e segurança, e o receio de represálias por qualquer tentativa de reivindicação dos seus direitos tornam-se a norma. O setor, que deveria ser um orgulho nacional, está a transformar-se num cemitério de esperanças e oportunidades para aqueles que nele trabalham.
Curiosamente, não são apenas os trabalhadores que se sentem traídos. Pequenos e médios empresários também desabafam com o SNPIC sobre a falta de apoio da APICCAPS e do Estado. "Como pode um setor altamente financiado por dinheiros públicos deixar sucumbir as empresas que lutam para manter a dignidade dos seus trabalhadores?", questionam-se muitos. Enquanto algumas empresas prosperam, apoiadas por mecanismos que lhes permitem explorar ao máximo a mão de obra, outras estão condenadas ao colapso devido à concorrência desleal e à falta de uma política justa e transparente para todos.
Não nos enganemos: a APICCAPS não é apenas uma sigla. Por trás dela estão dirigentes empresariais concretos que moldam as decisões e perpetuam este sistema de exploração. A falta de exigência por melhores condições de trabalho e pela valorização dos profissionais do setor é um reflexo direto das prioridades destes líderes empresariais, que colocam os seus interesses acima da dignidade dos trabalhadores.
Os órgãos sociais da APICCAPS para o triénio 2024-2026 são:
A responsabilidade destes dirigentes não pode ser ignorada. Não sentem vergonha? Vergonha de liderar um setor onde a negociação coletiva não é feita de boa-fé? Vergonha de perpetuar a precariedade laboral, mantendo os trabalhadores no mínimo possível, sem qualquer dignidade para viver e sustentar uma família? Como é possível que a APICCAPS permita que os trabalhadores que fabricam artigos que valem milhares de euros sejam pagos a cêntimos?
A solução é clara: exigimos uma mudança nos dirigentes da APICCAPS e a criação de uma nova Associação Patronal, uma que represente verdadeiramente um setor digno e sustentável!
Fonte Usada:
Sindicato Nacional dos Profissionais da Indústria e Comércio do Calçado, Malas e Afins
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