Negociações CCT (3.ª Reunião): Chantagem, Desculpas e a Luta pelo Nosso Futuro
No dia 5 de março de 2026, realizou-se a 3.ª reunião de negociação com a APICCAPS. O cenário apresentado pelo patronato foi o do costume: a ameaça de que "em pouco tempo não teremos indústria", lucros baixos e a desculpa da crise (guerras, inflação, etc.). Mas desta vez, a conversa foi mais longe.
A APICCAPS não só confirmou que o achatamento salarial existe, como fez confissões inacreditáveis sobre os salários de topo e apresentou um autêntico ultimato aos trabalhadores.
- A APICCAPS recusa os 5€ de alimentação (diz que é um aumento assustador de 25%).
- Fizeram chantagem: dão apenas 4,50€ de alimentação, MAS SÓ SE o Sindicato aceitar a tabela salarial de miséria que propõem.
- Confessaram que os diretores não entram na tabela porque assumir os salários deles "soa mal" para as contas da indústria.
- A próxima reunião ficou agendada para o dia 17 de março, às 10 horas.
🤫 A Confissão: Os Diretores e o que "Soa Mal"
Na reunião anterior, a APICCAPS admitiu que as empresas pagam os cargos de topo (Diretores/Engenheiros) muito acima da tabela. Desta vez, o Sindicato confrontou-os com isso. A resposta patronal entra para a história do descaramento:
A APICCAPS confirmou que as empresas pagam por fora das tabelas aos diretores porque, se esses valores reais fossem colocados no papel, "isso aumentaria imenso a percentagem da massa salarial e soaria mal para a indústria".
Ou seja: As empresas escondem a riqueza que distribuem no topo para poderem chorar miséria na base. O que "soa mal" não são os números, é a hipocrisia de quem faz sapatos de luxo e paga salários de sobrevivência.
🧮 A Ilusão das Percentagens: Como transformar 1 Euro num monstro
A APICCAPS queixou-se de que a nossa proposta de 5€ para o Subsídio de Alimentação representa um aumento de 25% (face aos 4€ atuais) e que esse número "os assusta".
Vamos traduzir as percentagens para a realidade: A diferença entre 4€ e 5€ é exatamente 1 EURO POR DIA.
Uma indústria que se gaba da sua excelência internacional e cobra centenas de euros por um par de sapatos está, literalmente, a dizer que vai à falência se der mais 1 euro por dia para os seus trabalhadores comerem. É esta a vossa valorização?
⚠️ A Chantagem dos 50 Cêntimos
No final da reunião, a APICCAPS colocou as cartas na mesa: disseram que aceitavam subir o subsídio de alimentação para 4,50€ (um aumento de 50 cêntimos), MAS APENAS SE a FESETE e os seus sindicatos aceitassem a proposta salarial deles na íntegra.
É uma chantagem clara: oferecem umas migalhas na sopa em troca da destruição das nossas carreiras.
A Proposta da APICCAPS (A Matemática da Miséria)
A grelha que a APICCAPS quer impor baseia-se apenas na inflação (2,2%), ignorando que o Salário Mínimo (SMN) subiu muito mais que isso, o que "engoliu" a tabela toda. Esta é a realidade que nos querem empurrar goela abaixo:
| Grau / Categoria Exemplo | Proposta APICCAPS (€) |
|---|---|
| Grau IV (Chefes de Linha / Cortadores 1.ª / Costureira 1.ª, etc) | 945,00 € |
| Grau V (Costureiras 2.ª / Operador auxiliar de montagem 2.ª, etc) | 935,00 € |
| Grau VI (Operador de montagem 3.ª / Costureiras 3.ª, etc) | 930,00 € |
| Grau VII (Operador de limpeza, etc) | 920,00 € |
| Grau VIII e IX (Praticantes, etc) | 920,00 € |
O que isto significa? Um profissional de 1.ª classe (Grau IV) ganharia apenas 25€ acima do Salário Mínimo. O Grau VII está a ser formalmente empurrado para o mínimo. O achatamento é total.
♟️ A Nossa Posição: Não cedemos a chantagens
O SNPIC não vai trocar o futuro da carreira dos trabalhadores por 50 cêntimos ao dia. Fizemos uma proposta de transição (que no próximo ano a tabela se mantenha caso o SMN aumente, guardando assim o diferencial), para garantir que as categorias não continuam a ser esmagadas.
A APICCAPS pede-nos para "entender o estado da indústria". Nós pedimos à APICCAPS para entender o estado das famílias que não conseguem viver com o ordenado mínimo.
A Decisão Aproxima-se (Próxima Reunião: 17 de Março)
O tempo das conversas de corredor acabou. É hora de partilhar a verdade com todos os teus colegas de fábrica. Mostra-lhes o que os patrões dizem à porta fechada!
A força do Sindicato na mesa no dia 17 depende do número de trabalhadores que temos nas costas. Sindicaliza-te no SNPIC.

