No dia 25 de fevereiro, realizou-se a 2.ª reunião de negociação com a APICCAPS. A FESETE e os seus sindicatos afiliados, como o SNPIC, foram para a mesa com vontade de negociar e resolver, apresentando uma contraproposta, ainda assim injusta para os profissionais da industria, mas com a tentativa de tirar as profissões da vergonha do Salário Mínimo (que já está nos 920 euros).
A resposta da associação patronal? O habitual muro das lamentações e uma matemática de miséria.
A meio do discurso sobre quebras de exportação e prejuízos, a própria APICCAPS admitiu o que nós já sabemos: para as categorias de topo (Grau I e II, como Diretores e Engenheiros), as empresas já pagam MUITO ACIMA do que está na tabela!
Ou seja: quando é para os quadros superiores, o dinheiro aparece e a crise esfuma-se. Quando é para quem tem a arte nas mãos, produz a riqueza e respira o pó da fábrica, contam-se os cêntimos.
Para piorar o cenário, a associação patronal recusa pagar retroativos a 1 de janeiro. Exigem que a nova tabela salarial só entre em vigor no dia em que o contrato for assinado.
Percebem agora porque é que adiam reuniões e empatam as negociações? Cada mês que o processo se arrasta, é um mês de aumentos justos que as empresas não vos pagam. O tempo joga a favor da carteira deles, e contra a vossa.
A proposta da APICCAPS é cruelmente simples: pegar no novo Salário Mínimo Nacional (920€) e manter exatamente a mesma diferença em euros que existia na tabela do ano passado.
Vamos a contas para desmascarar isto:
Em 2025, um Cortador de 1.ª ou uma Costureira de 1.ª (Grau IV) tinha uma tabela de 895 euros. Isto representava uns meros 25 euros acima da base salarial da tabela, que era de 870 euros.
O que a APICCAPS quer agora é somar esses mesmos 25 euros aos atuais 920 euros (SMN). Ou seja: propõem 945 euros para um profissional de 1.ª! Querem que um trabalhador especializado, com responsabilidade e experiência, ganhe apenas uns trocos a mais do que um aprendiz que acabou de entrar.
Para demonstrar boa-fé negocial e retirar o argumento patronal de que os nossos valores eram "impensáveis", apresentámos uma grelha revista. É uma proposta que tenta valorizar os trabalhadores, afastar as profissões do ordenado mínimo:
| Grau / Categoria Exemplo | Proposta Revista (€) |
|---|---|
| PRODUÇÃO / ADMINISTRATIVOS / APOIO | |
| Grau I e II (Diretores e Engenheiros) | APICCAPS recusou debater (*alega que as empresas já pagam acima da tabela) |
| Grau III (Encarregados / Modeladores / Técnicos de Contabilidade) | 1.020,00 € |
| Grau IV (Chefes de Linha / Cortadores 1.ª / Costureira 1.ª) | 960,00 € |
| Grau V (Costureiras 2.ª / Operador auxiliar de montagem 2.ª) | 945,00 € |
| Grau VI (Operador de montagem 3.ª / Costureiras 3.ª / Acabamento 3.ª) | 935,00 € |
| Grau VII (Operador de limpeza / Contínuo) | 930,00 € |
| Grau VIII e IX (Praticante ou sem formação certificada) | SMN (920,00 €) |
A melhor forma de vencer é estar preparado antes da batalha. Fomos para a mesa com factos e números, mas falta-nos a peça mais importante: TU. Sem a força dos trabalhadores unidos, os melhores argumentos perdem força perante a intransigência patronal.
O SNPIC insiste num ponto decisivo: a negociação coletiva afeta todos. Através das Portarias de Extensão, o que assinarmos poderá vir a ser lei para todo o setor em Portugal.
Isto aplica-se a quem faz sapatos, mas também a quem trabalha nos Componentes e na Marroquinaria. Somos uma única força de trabalho.
"A excelência do calçado português não pode continuar a assentar em salários mínimos!"
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Sindicato Nacional dos Profissionais da Indústria e Comércio do Calçado, Malas e Afins
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