PRR e o Setor do Calçado: Quando os Milhões Não Chegam aos Trabalhadores
O setor do calçado português está em destaque mais uma vez, com a APICCAPS a anunciar que mais de 50% dos investimentos do PRR já foram executados. No centro desta notícia estão duas agendas mobilizadoras, FAIST e BioShoes4All, que representam um investimento total de 120 milhões de euros. A narrativa apresentada pelo setor patronal foca-se na inovação, sustentabilidade e competitividade. Mas há uma pergunta que ninguém responde: onde estão os benefícios para os trabalhadores?
Milhões para as Empresas, Nada para os Trabalhadores
Sempre que se fala de investimentos avultados no setor do calçado, os trabalhadores são esquecidos. As empresas investem em novas tecnologias, processos sustentáveis e feiras internacionais, mas continuam a recusar aumentos salariais dignos e a melhoria das condições de trabalho. O verdadeiro motor da indústria, os trabalhadores, permanece ignorado.
Enquanto se gasta milhões em inovação, os trabalhadores continuam a receber salários de miséria, lutam com subsídios de alimentação irrisórios e enfrentam condições de trabalho precárias. A APICCAPS e as empresas do setor não podem continuar a ignorar esta realidade, mascarando a falta de valorização laboral com promessas de "modernização".
Empresas Apresentam Inovação, Mas Escondem a Precariedade
Na recente feira Lineapelle, em Milão, a APICCAPS exibiu projetos inovadores, como o primeiro PVC 100% reciclado a partir de sapatos velhos. A Procalçado, uma das empresas participantes, promoveu este avanço tecnológico como uma solução para a sustentabilidade do setor.
Mas qual é a sustentabilidade de uma indústria que não sustenta os seus próprios trabalhadores?
A realidade no terreno é outra: baixos salários, horários desregulados, pressão constante e falta de garantias laborais. O setor do calçado celebra a sua imagem moderna perante o mundo, mas a verdade dentro das fábricas continua a ser uma história de exploração e desvalorização dos trabalhadores.
PRR: Um Plano de Recuperação… Para Quem?
O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) foi desenhado para modernizar a economia portuguesa, impulsionar a transição digital e ecológica, e criar melhores condições para trabalhadores e empresas. Contudo, no setor do calçado, estes investimentos parecem beneficiar apenas uma parte da equação: os patrões.
O SNPIC exige que os investimentos do PRR sejam utilizados também para melhorar as condições dos trabalhadores, garantindo que:
✅ Os aumentos salariais sejam justos e dignos, refletindo o verdadeiro valor do trabalho realizado;
✅ Os contratos coletivos sejam respeitados e ampliados, assegurando mais estabilidade laboral;
✅ A formação profissional seja acessível a todos, e não apenas a um pequeno grupo de privilegiados dentro da indústria;
✅ As condições de trabalho sejam melhoradas, combatendo a precariedade e garantindo maior segurança nas fábricas.
A Luta Pelos Direitos dos Trabalhadores Continua!
O setor do calçado em Portugal não pode continuar a ser um exemplo de sucesso internacional à custa da exploração dos seus trabalhadores. O SNPIC reitera a sua posição:
🔴 Não podemos aceitar um setor "moderno" assente em práticas laborais ultrapassadas.
🔴 Os trabalhadores devem ser os primeiros a beneficiar dos investimentos feitos na indústria.
🔴 A riqueza gerada pelo PRR deve ser distribuída de forma justa e equilibrada.
A modernização do setor não pode ser só uma questão de tecnologia – tem de ser também uma modernização dos direitos laborais, das condições de trabalho e dos salários.
O SNPIC continuará a lutar para que os investimentos do PRR sirvam não apenas para enriquecer as empresas, mas também para garantir um futuro digno para quem realmente sustenta esta indústria: os trabalhadores!
📢 Juntos, somos mais fortes!
Fonte:
- Calçado já executou “mais de 50%” dos investimentos do PRR

